Resenha do documentário " A Ponte"
- 9 de mai. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de mai. de 2019

Quando assisti esse documentário, confesso que o achei sensacionalista. É nítido que o diretor se aproveitou da curiosidade mórbida que as pessoas tem pela morte em decorrência de suicídio. Quando alguém morre dessa forma, diversas pessoas querem saber o método utilizado e as possíveis motivações.O cineasta americano Eric Steel, explorou isso, filmando em 2004 mais de 20 suicídios na Ponte Golden State (grande ponto turístico nos EUA).
Não falar sobre o suicídio não faz com que ele deixe de existir, porém divulgar métodos e lugares pode causar um “ efeito dominó”, principalmente entre os jovens. Geralmente quando divulgam um local, começam a aparecer diversos casos de suicídio no mesmo lugar.
Apesar disso, é inegável que independente do seu objetivo real, o documentário chamou a atenção para um problema de saúde pública. Além das filmagens, o diretor contatou familiares e amigos de algumas vítimas. Colheram depoimentos emocionados de quem perdeu seus entes queridos de forma tão trágica.
Teve também o caso de um sobrevivente: Kevin Hines. Uma das coisas que mais me chamou a atenção em seu depoimento, foi o relato de quando estava próximo a ponte, minutos antes de se jogar. Ele estava chorando, em visivel sofrimento e próximo ao local em que vários suicídios são cometidos diariamente.Uma turista alemã se aproximou ignorando totalmente a situação e pedindo para que ele tirasse uma foto dela. Ele tirou a foto e ela foi embora sem ao menos perguntar se ele estava bem ou se precisava de ajuda.
A total ausência de empatia da mulher, só reafirmou o que ele já pensava: “ninguém se importa”. Naquele momento ela o despersonalizou totalmente. Ele era apenas um meio para que ela tivesse a sua foto perfeita em um grande ponto turistico.Talvez ela poderia ter evitado que ele tivesse pulado se tivesse dado atenção á aquele momento. Não que ela tenha culpa pela decisão que ele tomou, mas precisamos compreender que existe uma linha muito tênue entre tentar salvar uma vida e não fazer nada. Uma palavra ou um gesto pode mudar o rumo de uma vida.
De fato, Kevin se jogou, mas antes ficou em torno de 40 minutos de pé, próximo a ponte, chorando muito.Diversas pessoas passaram por ele, olharam, mas não pararam para perguntar o que estava acontecendo. As pessoas morrem por diversos motivos e em muitos casos de suicídio, a morte vem acompanhada por negligência.Não que essa negligência seja proposital. Na verdade, as pessoas não acreditam que alguém vá chegar a esse nível de desespero.Embora o número de mortes aumente cada vez mais,de modo geral, o ser humano tende a achar que esse tipo de coisa não acontece com os seus entes queridos ou pessoas próximas.
Precisamos ter empatia e olhar mais para o outro. Na dúvida, pergunte se a pessoa está bem, se tem algo que você possa fazer para ajudar.Você não tem nada a perder e pode salvar uma vida.
Para quem pensa em tirar a própria vida, saiba que seja lá qual forem os seus problemas, existem formas de resolvê-los ou de lidar melhor com eles.Você não precisa passar por isso sozinho. Busque ajuda médica e psicológica.Não desista de si mesmo, pois nós também não iremos desistir !



Comentários